Você já imaginou vender algo que não possui? Essa é uma possibilidade na bolsa de valores — e uma das maneiras de fazer venda descoberta. Ela é muito utilizada por traders, investidores com perfil especulador que procuram ganhar dinheiro com a especulação sobre o preço dos ativos.

Normalmente, a lógica da venda descoberta causa muitas dúvidas em quem não tem experiência no mercado. Afinal, a prática mais comum é comprar ações e depois vendê-las, e não o contrário. 

Que tal entender mais sobre isso? Então continue a leitura e saiba mais sobre esta operação! 

O que é a venda a descoberto?

A venda a descoberto consiste em uma estratégia na qual o investidor vende ações visando comprá-las novamente depois – e ganhar dinheiro com esta oscilação negativa. Ele pode ter ou não esses ativos na sua carteira. 

Mas qual é o objetivo por trás disso? 

Em geral, quem opta por essa prática espera que o preço do ativo sofra uma queda em breve. Ou seja, a venda a descoberto funciona no sentido oposto das operações tradicionais em bolsa, já que a maioria dos investidores costuma procurar ações que possam se valorizar. 

O trader que vê uma oportunidade desse tipo deseja obter lucro exatamente com a desvalorização. Dessa forma, ele realiza a venda do ativo por determinado valor e espera o preço cair para comprar aquela ação por um valor menor. 

Nessa transação, a diferença entre os preços será o seu lucro. Isso pode ser feito no mesmo dia (day trade) ou no prazo de alguns dias (por meio do aluguel de ações).

Como a venda descoberta funciona?

Em operações de day trade, como não há liquidação do ativo no mesmo dia, o investidor não precisa alugar o ativo para a operação. Contudo, é comum que investidores que realizem essa operação em day trade possuam os ativos em carteira.

Então, esse investidor geralmente pode emitir uma ordem de venda das ações e comprá-las de novo quando o preço cair, atingindo seu objetivo.

Vamos dar um exemplo prático: imagine um trader que é dono de determinadas ações que estão custando R$ 100,00 cada. Em determinado dia, ele percebe que aqueles ativos provavelmente passarão por uma queda significativa. Então, vende suas ações por esse valor. 

Após algumas horas, o preço realmente cai para R$ 90,00. Logo, ele adquire novamente as ações para sua carteira por esse valor mais baixo. Com a diferença, o especulador teve um lucro de R$ 10,00 em cada ação.

Contudo, essa não é a única forma de realizar uma venda a descoberto. Quem não tem os ativos na sua carteira pode recorrer ao aluguel de ações – o que é necessário em operações superiores a um dia. Consiste em pagar para utilizar os ativos de outro investidor por um tempo. 

Ao fim do prazo, eles são devolvidos ao proprietário dos papéis. E, nesse tempo, o trader pode realizar a venda descoberta de ações — recomprando depois os mesmos papéis, para finalizar o aluguel.

O cálculo do lucro é o mesmo nessa operação: o especulador vende as ações alugadas por determinado valor para recomprá-las por um preço menor depois. A diferença entre esses valores (descontando também a taxa para o aluguel e outras despesas, como corretagem e emolumentos) será o lucro.

Quais são as vantagens dessa operação?

Mas, será que vale a pena realizar operações de venda descoberta? Como muitas perguntas relacionadas aos investimentos, a resposta para essa questão depende do seu perfil e dos seus objetivos na bolsa de valores.

Como você pode ver, uma das principais vantagens da venda a descoberto é possibilitar as chances de lucro em um cenário de desvalorização do mercado financeiro. Assim, especuladores que estão acostumados a analisar o mercado veem nela uma forma de dinamizar seus ganhos.

Essa operação é especialmente vantajosa em contextos nos quais a economia do país não vai bem – ou em situações de forte oscilação no mercado. Nesses casos, sabemos que se torna mais difícil lucrar com a valorização das ações. Por isso, muitos traders utilizam a venda a descoberto para manter sua posição favorável.

Assim, a venda a descoberto é uma estratégia interessante para manter a atividade na bolsa de valores. Além disso, ela favorece o aproveitamento de oportunidades variadas ao permitir que se negociem ações que não estejam em sua carteira.

A venda descoberta é uma operação arriscada?

Estamos falando até aqui sobre como funciona a venda a descoberto e demos, inclusive, um exemplo prático de como se dá a obtenção de lucro com essa transação. Entretanto, isso não significa a ausência de riscos.

Pelo contrário, a operação de venda descoberta é bastante arriscada — assim como as outras formas de especulação. Isso porque ela está totalmente exposta às variações do mercado no curto prazo, que pode ou não atender às expectativas que o trader teve em sua análise.

Em outras palavras, o valor da ação pode sim diminuir, mas pode também aumentar. Considere o exemplo que demos anteriormente: imagine que o trader venda suas ações por R$ 100,00 esperando uma queda.

Entretanto, em vez de o preço cair, ele aumenta. Quando o investidor precisar adquirir novamente as ações, ele terá um prejuízo. Se elas estiverem, por exemplo, a R$ 110,00 a perda será de R$ 10,00 por cada ação, além dos custos operacionais.

É preciso ter esse risco em mente sempre que se fala de operações de especulação. Há chances de o mercado responder conforme à expectativa, mas também sempre há possibilidade de acontecer o efeito contrário. Assim, a venda a descoberto deve ser feita com muito cuidado e manejo de risco.

O stop é uma medida de segurança que costuma ser utilizada nesses casos. Ele serve para se desfazer de uma posição quando o prejuízo atinge um limite determinado. Essa medida é muito útil na venda a descoberto, principalmente considerando que as perdas podem ser ilimitadas — afinal, as ações podem subir indefinidamente.

Quem pode realizar a venda descoberta?

Qualquer pessoa que opere na bolsa de valores pode praticar a venda a descoberto. Para isso, é preciso ficar atento aos detalhes, principalmente se a transação envolver o aluguel de ações.

Um detalhe essencial é que se faz necessário oferecer garantias para o aluguel. Afinal, existe o risco de o especulador não conseguir comprar os ativos novamente para devolver ao proprietário. A garantia é composta por ativos da sua carteira, como títulos da renda fixa ou outras ações.

Outro cuidado indispensável é considerar as taxas envolvidas na operação. Além de possíveis taxas de corretagem, o especulador precisará pagar um valor pelo aluguel das ações. Assim, a queda no preço dos ativos precisa compensar esses custos.

Em resumo, a venda descoberta não é uma operação simples na bolsa de valores. Ela demanda muita estratégia e análise de risco, pois as perdas podem ser significativas, mas pode ser uma opção interessante para obter rendimentos com especulação – especialmente em momentos de baixa no mercado.

 Se você se interessou pelo assunto, vale a pena ter atenção e se preparar para realizar essas operações, sempre incrementando seus conhecimentos.

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