Durante os últimos 6 anos, era muito comum você se deparar com um amigo, parente ou companheiro de trabalho que dizia ter investimentos no banco ou corretora e provavelmente, cerca de 80% dessas pessoas investiam apenas em renda fixa: CDB, LCA, LCI, LC, CRI, CRA, debentures ou Tesouro Direto.

Isso também fica muito claro quando procuramos conteúdo na internet sobre investimentos.

A maioria dos influenciadores digitais no ramo de investimentos e finanças aqui no Brasil fazem conteúdos sobre renda fixa e até mesmo é o que incentivam você a fazer.

Essa proporção de investidores na renda fixa era tão grande, não porque a maioria dos brasileiros são “medrosos” na hora de investir, muito pelo contrário, no meu dia a dia é muito comum me deparar aconselhando investidores que estão chegando agora no mercado, a tomar uma postura menos agressiva. 

Mas por que isso aconteceu? Vamos entender os motivos nas próximas linhas.

Por que renda fixa virou moda?

Essa antiga realidade onde a maioria das pessoas investiam em renda fixa, foi basicamente causada por alguns fatores.

Dentre eles, podemos ver:

  • uma fase de taxa de juros ridiculamente altas sendo praticadas no nosso Brasil,
  • um mercado de renda variável em clara tendência de baixa por meses e anos consecutivos,
  • um mercado imobiliário pouco aquecido,
  • um risco país muito alto e
  • uma nota de rating cada vez mais baixa.

Isso fez com que cada vez mais nossa moeda fosse desvalorizada e cada vez mais a nossa taxa básica de juros estivesse mais alta.

Um novo horizonte?

O fato agora é que aparentemente esse ciclo de “crise” parece estar chegando ao fim e a entrada de um novo ciclo de recuperação e um possível crescimento econômico do nosso país está sendo visto no horizonte.

Não costumo ser muito otimista, na verdade, costumo ser bem cético e frio quando o assunto é otimismo exacerbado.

Mas o fato é que agora, claramente os indicadores apontam numa direção mais clara e promissora, por mais que estejamos passando por um momento onde a conjuntura política esteja passando por muita conturbação.

Existe uma percepção e um senso comum entre os principais participantes do mercado financeiro, que as decisões políticas, econômicas e fiscais, vão tomar um novo rumo, uma direção mais próspera.

Isso pode ser bom para uns, e não tão bom para outros.

Mas como não poderia ser bom para todos?

Um mercado em ascensão e crescimento é sempre bom não é!? 

A resposta para essa pergunta pode ser “sim”, para quem sabe investir ou opta por tomar um risco diferenciado.

Como ter uma nova percepção sobre investimentos

Com o país em crescimento, aumento no PIB, um fomento nos mercados com mais risco e uma inflação controlada, automaticamente o banco central passa a adotar taxas de juros mais baixas.

Não é nada incomum, pois pelo menos duas das principais economias mundiais, já chegaram a ter taxa básica de juros negativa em uma fase de expansão.

Sendo assim, se o Brasil realmente quiser fazer parte das 4 ou 3 primeiras economias mundiais, no que tange taxa básica de juros, a SELIC, o Brasil vai ser obrigado a seguir pelo mesmo caminho.

A pergunta principal na hora de investir

Sendo assim, com taxa de juros mais baixa e a renda fixa rendendo quase nada, o que sobra para os investidores com pouco experiência, pouco conhecimento e baixo apetite por risco, para eles investirem? 

Na verdade, a pergunta não é bem essa.

Nessa situação a pergunta que deve ser feita é: que perfil eu devo assumir para buscar maiores rendimentos para o meu patrimônio? 

 Acredito que partir de agora, pelos próximos 2 ou 3 anos, o investidor brasileiro, vai ser obrigado a tomar mais risco de mercado, se quiser buscar um rendimento “razoável” para sua carteira.

E se quiser um rendimento muito bom, vai ser obrigado a assumir mais risco ainda.

Assumindo novos riscos

Quando falo em risco, o leitor pode ter calafrios e pensar que risco é igual a perder todo patrimônio que ele levou a vida toda para acumular, mas não é a isso que me refiro.

Quando falo em risco, de maneira bem resumida, posso dizer que tomar risco em nível básico, é buscar um rendimento que seja no mínimo o dobro da poupança ou o dobro do CDI, mas que o investidor possa verificar 1 ou 2 meses de resultados negativos no ano. 

Um investidor que opta por “assumir risco moderado”, vamos chamar de nível 2, pode ser a busca por um rendimento de 3 a 4 vezes a SELIC, porém que você possa passar por momentos que perduram de 2 a até 6 meses com desempenho fraco, mas que sejam compensados pelo restante dos meses do ano.

Um nível mais avançado na minha opinião, um nível 3, seriam as estratégias onde o investidor ou trader, busca bater o IBOVESPA.

Viu só? Agora o nosso benchamrk mudou, já não é mais o CDI, poupança ou SELIC, agora buscamos rendimentos que podem chegar a mais de 100% no ano, mas que em determinados momentos de mercado, pode passar um ano inteiro sem ter lucro algum.

Os anos 2013, 2014 e 2015 foram assim para alguns fundos de ações, foram anos difíceis, mas não só para eles.

Quando uma situação macro de mercado muda em uma magnitude maior, acredito que a pergunta que o investidor deve fazer para si mesmo, não é qual a bola da vez ou qual é o melhor investimento do momento, mas sim qual perfil é necessário assumir para buscar mais rendimentos para seus investimentos. 

E digo mais, principalmente para os investidores que sempre investiram em renda fixa, não é porque no passado nós tínhamos LCA e LCI rendendo 16%a.a. com FGC e CDB com taxa pré de mais de 20%a.a., que agora investindo em algo com “nível de risco básico” os lucros maiores estão garantidos.

Nada disso, muito menos investindo nos perfis 2 e 3 mencionados acima.

Não é porque o investidor tomou mais risco, investiu em algo mais agressivo que de costume, que no mês seguinte o resultado positivo obrigatoriamente deva estar em sua carteira.

A história aqui é outra, a estratégia é outra e será necessário dar tempo ao tempo, para esses investimentos de risco mais alto proporcionarem um resultado positivo.

E quando menciono tempo, estou me referindo a um prazo que vai ser de no mínimo 6 ou 12 meses, é como falei anteriormente, não é igual àquela renda fixa que você aplica hoje e mês que vem já poderia retirar o principal mais os juros proporcionais do período. 

Se tratando de investimentos em fundo de renda fixa inflação, ações, mercado futuro ou todos seguimentos de fundos de investimentos, o horizonte deve ser um pouco maior e o objetivo também precisa ser de um prazo mais longo.

Conclusão

Na conclusão deste artigo peço que desse ano em diante, tente identificar em que momento a sua vida financeira se encontra, e em qual dos perfis acima você se encaixa. 

A maioria dos CDBs com ótimas taxas do passado, estão vencendo agora, e para conseguir taxas medianas nesses mesmos CDBs, é necessário se posicionar em algo com prazo de carência muito longo. Ou você pode tomar risco, em alguns dos 3 níveis mencionados em nosso artigo e permanecer firme na estratégia até que as m

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