Durante muito tempo era comum ouvirmos de “investidores” brasileiros que suas aplicações haviam sido realizadas, em sua totalidade ou na maioria do patrimônio, em renda fixa. Durante os anos de 2013 a 2016 a demanda por CDB, LCA, LCI, LC, debênture ou Tesouro Direto era muito grande, prefixado ou pós fixado. 

Não era “errado” investir nessas aplicações bancárias (ou títulos de dívida privada), mas infelizmente isso acabou ocasionando o surgimento de investidores “despreparados” para momentos de taxa de juros mais baixa. Investidores que se acostumaram a aplicar seu dinheiro numa renda fixa, com rendimento fixo de 18% no ano. 

Isso era excelente, se pensarmos em apenas um lado da moeda. Porém, na outra ponta, nós tínhamos esse mesmo dinheiro sendo disponibilizado a juros para o mercado, com taxas absurdamente altas. 

No jargão de mercado, “pega quem quer ou quem precisa” esse dinheiro a juros altos. Mas o fato é que enquanto uma ponta – o banco – paga taxas fixas altíssimas para o investidor, na outra ponta não tem como fazer diferente: o banco ou instituição será obrigado a cobrar caro desse suposto cliente para emprestar esse dinheiro e isso não fomenta uma economia, muito pelo contrário. A política de alta nos juros é aplicada justamente em grandes potências mundiais, quando elas justamente querem desacelerar um pouco a economia e a inflação. 

Qual é a conclusão de toda essa história contada acima? 

Nenhum país pode sustentar uma taxa de juros tão alta por muito tempo, do contrário poderíamos nos tornar uma economia especulativa e arriscada, como é o caso de hoje dos nossos vizinhos argentinos. 

O fato é que, para você que conseguiu aplicar em algum dos investimentos em renda fixa mencionados acima, prefixados principalmente, segure bem firme esse investimento em sua carteira até o vencimento, pois pode demorar muito para você encontrar taxas parecidas num futuro próximo. 

Em dados atuais, a SELIC hoje está na casa dos 5%a.a. e a expectativa é de mais um corte, desse momento até o final de 2019. 

O cenário para 2020 (no que tange taxa básica de juros básica) é um pouco nebuloso, não sabemos exatamente se poderá haver mais cortes. 

Na verdade, de acordo com alguns analistas e gestores do mercado financeiro, o Governo atual ou o BC, cortou até demais a taxa de juros e muito rápido. Isso pode diminuir as cartas na manga para esse novo Governo fomentar a economia ou o crescimento do PIB no restante do seu mandato. 

Mas vale a pena ou não vale a pena investir em renda fixa hoje? 

Visando apenas a taxa fixa ou a taxa pós proporcionadas pelos Títulos Públicos, títulos de dívida bancária ou títulos de dívida privada, não está valendo a pena! 

Os rendimentos “pré” para novas emissões dessas “rendas fixas” estão muito baixas. Os principais indexadores da renda fixa “pós” (o CDI ou a SELIC) também estão bem baixos. Nesse caso, como investir na renda fixa? 

Dependendo da estratégia, pode valer a pena sim. No entanto, com os dados econômicos atuais, para segurar essa renda fixa até o vencimento, você pode esquecer ou abandonar qualquer tipo de estratégia na renda fixa. 

O que pode ser feito, é a aquisição de CDBs, Tesouro Direto ou debêntures no mercado secundário, mas não são novas emissões. São títulos de dívida emitidas no passado por instituições, que hoje o portador, por “N” motivos, não vê necessidade de mantê-las em carteira e deseja vendê-la nesse exato momento.  

Não é tão fácil de encontrar, mas se o investidor permanecer de “plantão” na abertura da negociação na CETIP, logo de manhã, ele pode conseguir alguma renda fixa com boas taxas fixas e carência bem curta. 

Outra estratégia, mais utilizada por gestores de fundos (pois demanda mais conhecimento sobre análise de mercado) é o trade do P.U (Preço unitário) da renda fixa. 

O investidor pode efetuar a compra ou a aquisição de um novo título: pode ser um título que está sendo emitido agora, desde que a expectativa para aquele indexador seja de alta para os próximos meses. Um exemplo real, são os investimentos pré-fixados. 

Se nós sabemos que a SELIC será impactada por novos cortes nas próximas reuniões do COPOM, nós podemos optar por adquirir hoje os títulos pré-fixados, pois na teoria, depois que o corte efetivamente acontecer, o nosso título pré-fixado vai se valorizar no mercado secundário, e nós vamos poder vendê-lo com lucro para um terceiro. 

O contrário também é verdade, se adquirirmos um título prefixado de 6% e a SELIC saísse de 5% para 7%, por exemplo, esse nosso título pré-fixado perderia valor no mercado secundário e caso realizássemos a venda dele, poderíamos ter um prejuízo. 

Por incrível que pareça, é possível ter prejuízo na renda fixa. No vencimento esse risco se torna muito pequeno ou nulo, mas nessas estratégias de curto prazo, é sempre bom estar atento a essas variações pelo meio do caminho. 

Conclusão

Investir em renda fixa, para segurar até o vencimento desse título, no atual cenário econômico, não está nada interessante. Mesmo sabendo que nossa taxa básica de juros está relativamente alta em comparação com países de primeiro mundo que praticam taxas até negativas, como é o caso do Japão. 

Não está valendo a pena com esse tipo de estratégia! 

Mas para investir em renda fixa, especulando uma possível variação positiva no preço do P.U, para posterior venda no mercado secundário e realização de um lucro de prazo mais curto, pode valer muito a pena. Sempre lembrando que para esse tipo de execução, é necessário um “know-how” mais aprofundado sobre assuntos macroeconômicos. 

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